O Vereador, o Povo e a Política
*Prof. Rogério Lopes Fagundes
A DEMOCRACIA, em Montes Claros, vive um momento de efervescência. Os debates são acalorados, as decisões são tomadas por consenso... pelo menos, aquelas que interessam à maioria. A minoria, como sempre, terá que se contentar em aplaudir.
Na Câmara Municipal, o clima é de tensão, transição, e, ao mesmo tempo, de reconhecimento. Júnior Martins (PP), o homem que uniu a casa legislativa, se despede (ou não) da presidência, mas não da política.
Sua gestão foi marcada por consensos. Isso mesmo, quem ousaria discordar do líder que, com maestria, unia a direita e a esquerda sob sua égide? A harmonia era tamanha que, em alguns momentos, a Câmara parecia mais um clube do que um espaço de debates acalorados. É claro que, para manter essa harmonia, alguns ajustes foram necessários. Como diz o ditado, 'quem não é conosco é contra nós'. E, para aqueles que não estavam 'conosco', a única opção era a porta de saída. Mas não se preocupem, a democracia, em Montes Claros, é um bem precioso que é zelosamente guardado pelo establishment.
Sua reeleição, apesar da mudança partidária, é um termômetro da aprovação de seu trabalho pela população. A capacidade de ouvir, de construir consensos e de respeitar as diferenças foram qualidades que o tornaram um líder ímpar, superando as divergências em prol do bem comum, o que pode lhe trazer à presidência novamente.
A mesa diretora teve seu papel, como a presença de Maria Helena Lopes (MDB), com sua sensibilidade feminina, trouxe um toque de delicadeza e firmeza à mesa. A união de forças entre os dois foi fundamental para essa eficiência. A liberação das emendas impositivas, de forma transparente e equânime, demonstra o compromisso da atual gestão com os anseios da população.
O desafio
É claro que desafios ainda persistem, a gestão financeira, por sua vez, tornou-se um verdadeiro mistério. Um déficit contábil de alguns milhões, investigado por uma CLI, paira como uma nuvem negra sobre o prédio. A fé inabalável de Júnior Martins, que o aproxima tanto de direita quanto de esquerda, é digna de um verdadeiro ecumenismo político. Em política, todos os caminhos levam a Roma... ou ao Paço. O princípio de Pareto, parece poder ser aplicado à política, quase como uma lei natural: 20% controla 80% dos recursos. Neste caso, parece que esses 20% estão muito satisfeitos com a distribuição.
A política é um jogo complexo, e as disputas de poder são inerentes à natureza humana. No entanto, a experiência de Montes Claros nos mostra que é possível construir um futuro melhor, quando a política é feita com o coração e com a mente aberta, mesmo que nos bastidores, algumas vozes dissonantes tenham sido silenciadas, em nome da harmonia. Mas quem precisa de opiniões divergentes em um ambiente tão unido? Afinal, a política sempre é vista como um jogo de interesses. Como diria o Alferes: “Formigas meu caro, formigas!”


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